domingo, 29 de novembro de 2015

As figurações animais existentes em "Ensaio sobre a cegueira"


"Os gritos tinham diminuído, agora ouviam-se ruídos confusos no átrio, eram os cegos, trazidos em rebanho, que esbarravam uns nos outros..."
(SARAMAGO, 1995, p. 72)

"Há muitas maneiras de tornar-se animal, pensou, esta é só a primeira delas. Porém, não se podia queixar muito, ainda tinha quem não se importasse de o limpar". 
(SARAMAGO, 1995, p. 97)

"Alguém protestou lá do fundo, Porcos, são como os porcos. Não eram porcos, só um homem cego e uma mulher cega que provavelmente nunca saberiam um do outro mais do que isto." 
(SARAMAGO, 1995, p. 98)

"A essa hora, num lugar escondido das vetustas e arruinadas edificações, estariam os gatunos a empanturrar-se de rações duplas e triplas de um rancho que, inesperadamente, aparecia melhorado [...]".
(SARAMAGO, 1995, p. 108)

"O que não estaria bem seria imaginar que estes cegos, em tal quantidade, vão ali como carneiros ao matadouro, balindo como de costume, um pouco apertados, é certo, mas essa sempre foi a sua maneira de viver, pelo com pelo, bafo com bafo, cheiro com cheiro."
(SARAMAGO, 1995, p. 112)

"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais."
(SARAMAGO, 1995, p. 119)

"[...] mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos."
(SARAMAGO, 1995, p. 243)

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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